sábado, 18 de fevereiro de 2012

É trabalho!



Hoje me deu vontade de falar sobre um enorme desafio que eu enfrento. Não sei se é comum, se outras professoras ou profissionais já passaram ou passam por isso.

Então... meu desafio é fazer com que outra pessoa compreenda que meu trabalho não é uma extensão do Hopi Hari. 

Pois é, quando eu levanto de manhã eu não tô me preparando para uma excursão, eu tô me preparando para o trabalho. O tênis, a camiseta e a bermuda que me acompanham são parte do meu equipamento, me garantem o conforto necessário. Quando eu volto e digo que tô cansada, sim eu tô de fato, cansada. Eu diria que eu to arrebentada, sem energia _ dar aula cansa, consome uma energia tremenda e requer descanso e sobretudo um tempo de paz. Paz mesmo, aquela coisa de silêncio e por favor, não exija nada de mim pelas próximas duas horas, no mínimo. 

 O fato de eu gostar do meu trabalho, de dar risada, achar graça, brincar muito com a criançada não quer dizer que eu tô me recreando. Eu tô trabalhando! São muitas crianças que estão todas sob o meu cuidado, minha responsabilidade. Requer atenção, olhar clínico, notar, anotar cada evolução da criança, saber seu comportamento, como ela lida com as circunstancias do dia a dia, com os colegas, com dificuldades, etc. Alem do fato de ensinar. Ensinar exatamente tudo e cobrar: a descarga do banheiro (aff como eles esquecem!) lavar as mãos, cuidados consigo e com os outros, ensinar a se servirem, a se alimentarem, o lixo no lixo... são detalhes tão pequenos que só quem é educador sabe o quanto eles estão presente no dia a dia de uma sala de aula. 

Eu não sento nem pra fazer a chamada, minha chamada tá anexada na lousa e, é ali, de pé mesmo que vou acompanhando a presença e falta dos alunos. 

E tem ainda criança que te testa, que desobedece ordem, que responde torto, que contraria...  

Haja jogo de cintura.

Aí eu chego em casa semi-morta e minha mãe cobra de mim disposição, poder de decisão e tudo o mais... 

_ Mãe, eu já me desliguei pra não morrer faz tempo, ao meio dia!  Por favor, me deixa respirar!!!

Loucura, né?

Será que é só comigo?

Julia Campanucci


Um comentário:

Romualdo Machado disse...

Professora, quero ajudar, diga-me como os pais podem colaborar com sua profissão?

Minha opinião:
Quanto ao cansaço: Cansaço está relacionado a carga horária trabalhada na escola. Aumento salarial pode incentivar mas não alivia o cansaço.

Solução: Menos sonegação fiscal por parte dos empresários.

(Fato: Dos 1500 bilhões de reais de impostos pagos pela população e arrecadados pelos empresários, chegam aos cofres do governo 1100 bilhões de reais, os 400 bilhões de reais restante não são entregues ao governo; ou seja, o empresário pega o dinheiro do povo e não repassa ao governo)

Não sei qual é, mas a maior empresa de Capão Bonito paga zero real de imposto, pois quem paga imposto de fato são os clientes desta empresa. O valor do imposto está embutido no preço de venda, não só o imposto está embutido no preço de venda, mas também o lucro, água, luz, telefone e etc.
Portanto prezada e cansada professora, se os empresários, repassassem para o governo todo o imposto que a população entrega a eles, teríamos a solução de todos problemas, ou seja o governo teria mais recursos financeiros para:

1. construir mais escolas;
2. melhorar os salários dos professores para atraí-los às vagas nas novas escolas; e
3. orientar a população para controle de natalidade de acordo com o PIB municipal.

Com mais escolas, mais professores e menos alunos... certamente teremos uma vida melhor.
Os maiores vilões do Brasil são os empresários que usam o dinheiro do povo para corromper políticos corruptíveis.

Desculpe-me, professora, escrever o quê vc talvez já saiba... é que eu não pensava no problema do Brasil quando tinha sua idade.

Gostaria de saber e aguardo sua resposta.